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Cenário indefinido em Pernambuco!


 A divulgação da mais recente pesquisa Datafolha neste início de fevereiro traz um balde de água fria para quem achava que a eleição para o Governo de Pernambuco seria um "passeio" de João Campos (PSB). O que vemos é o início de um efeito gangorra: enquanto a euforia da vitória esmagadora no Recife começa a ser filtrada pela realidade estadual, a governadora Raquel Lyra (PSD) parece ter encontrado o "tom" da sua gestão, refletido em uma aproximação perigosa para a oposição.

João Campos ainda lidera com 47%, um número robusto. No entanto, a queda de 6 pontos em relação a outubro acende um sinal amarelo. O Prefeito agora enfrenta o desafio de transpor sua popularidade da capital para o interior, onde a máquina estadual tem mais peso. A redução da vantagem de 22 para 12 pontos mostra que o eleitor pernambucano começou a comparar as entregas reais, e não apenas o carisma digital.

Raquel Lyra cresceu para 35%. Mais do que o número na estimulada, o dado que realmente salta aos olhos é a pesquisa espontânea, onde ela aparece à frente de João (24% contra 18%). Isso indica um "recall" de gestão. O eleitor que decide o voto agora já associa Raquel ao cargo, enquanto João ainda é visto, por muitos fora da Região Metropolitana, apenas como o "prefeito da capital". Se Raquel conseguir converter sua aprovação de governo (que bate os 61%) em intenção de voto direta, teremos a eleição mais acirrada das últimas décadas.

Pernambuco desenha um cenário de polarização administrativa. Não é mais uma briga de ideologias apenas, mas de quem entrega mais. João Campos tem o favoritismo do novo e da juventude; Raquel Lyra tem a caneta, o tempo e, agora, a tendência de subida.

A eleição de 2026 não será decidida no "like", mas no canteiro de obras e na capacidade de formar alianças com o interior. Quem subestimar a capacidade de recuperação da governadora pode acabar sendo atropelado pelos números na hora da urna.


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