Na noite deste sábado, o vereador fez questão de posar para foto ao lado do prefeito Gena e do vice Paulo de Necão durante a tradicional Festa de Março, realizada neste fim de semana no distrito de Pão de Açúcar — gesto que reforça ainda mais os sinais de alinhamento político.
O episódio envolvendo a votação relacionada aos professores foi um divisor de águas. Ao justificar seu posicionamento como “técnico”, Geovane acabou batendo de frente com a própria bancada, que seguiu em defesa da categoria ao lado da vereadora Jamile de Vila do Socorro. O gesto não foi apenas um voto isolado — foi um recado político claro de que o vereador já não caminha em sintonia com seu grupo de origem.
Geovane nunca teve perfil de enfrentamento duro. Nem nos tempos em que orbitava a base do ex-prefeito Lero, nem agora como integrante da oposição. Em 15 meses da atual gestão, foram raríssimos os momentos em que adotou uma postura crítica mais incisiva contra Gena Lins. Esse comportamento mais moderado, na prática, sempre o colocou mais próximo do diálogo do que do embate.
Outro ponto que pesa nessa equação é sua ligação direta com o vice-prefeito Paulo de Necão, um dos principais fiadores políticos de Geovane. Essa relação histórica também ajuda a explicar o movimento de reaproximação com o governo municipal.
O que está em curso não é apenas um possível rompimento com o grupo CALABAR. É, sobretudo, um reconhecimento — ainda que indireto — de uma gestão que vem imprimindo ritmo administrativo e reduzindo o volume de críticas até mesmo dentro da oposição.
Caso esse movimento se confirme oficialmente, Gena Lins poderá atingir a marca de oito vereadores em sua base, deixando apenas três na oposição. Um cenário que ultrapassa, com folga, o padrão das legislaturas anteriores, onde a maioria governista costumava se limitar a sete parlamentares.
Nos bastidores, a leitura já é praticamente unânime: falta pouco para Geovane deixar de ser dúvida e se tornar, de vez, mais um nome na engrenagem política do governo.
