
A gestão do prefeito Helinho Aragão tem números e fatos para apresentar. Não são poucas as entregas: construção de escolas, creches, mirante, pórtico, complexo esportivo e uma série de obras estruturadoras que vêm sendo executadas no município. No papel e nas ruas, há movimento.
O problema não está nas obras. Está na política.
Nos bastidores e na prática do dia a dia, a gestão enfrenta ruídos que poderiam ser evitados. As trapalhadas e desgastes atribuídos ao secretário Marcelo Cumaru acabam criando crises desnecessárias, desviando o foco do que poderia ser uma narrativa amplamente positiva.
Se não fossem esses episódios, a avaliação do governo poderia hoje já superar os índices do antecessor e aliado, o pré-candidato a deputado estadual Fábio Aragão.
Mas política não se resume a obras. É também articulação, narrativa e ocupação de espaços.
E é justamente nesse ponto que o governo tem encontrado dificuldades. O que se observa na Câmara é um cenário curioso: mesmo com 13 vereadores na base governista, o protagonismo do debate tem ficado nas mãos de apenas dois parlamentares — Adilson Bolsonaro e Jessyca Cavalcanti — que conseguem pautar discussões e ganhar narrativas.
Enquanto isso, boa parte da base parece atuar apenas na defesa reativa da gestão, sem impor agenda ou ampliar o debate positivo sobre as entregas realizadas.
Helinho é um político experiente, conhece o jogo e entende que gestão forte precisa de sustentação política organizada. Nos próximos dias, decisões poderão ser tomadas para reorganizar o time, alinhar discurso e corrigir rumos.
Porque obra se faz com planejamento.
Mas aprovação se constrói com articulação.
E, em política, quem não ocupa espaço, acaba cedendo.