Nesta semana, o IBGE confirmou o que percebíamos nas ruas de Petrolina nos últimos anos. A “Terra dos Impossíveis” teve um “boom” socioeconômico. Em 12 anos, a cidade cresceu 93 mil habitantes, ou seja, é como se Petrolina tivesse absorvido a população de Serra Talhada ou a metade da vizinha Juazeiro (BA). Em paralelo, acumula prêmios e lideranças em rankings de qualidade de vida, a exemplo do levantamento da Macroplan, que aponta Petrolina como a cidade melhor para se viver no Nordeste.

Resido na Califórnia Sertaneja desde julho de 2016. Antes de aportar à beira do São Francisco, tive muita resistência. Não queria morar num “fim de mundo”, num calor escaldante, não fazia sentido deixar a capital pernambucana para residir no meio da caatinga. Apesar de saber que Petrolina era uma cidade de médio porte, não imaginava, assim como outros desavisados, o que encontraria.

Depois de um mês na cidade, descobri a qualidade de vida que nunca imaginei existir, afinal, morava numa capital desenvolvida, porém, com inúmeros gargalos urbanos e sociais. Não quis mais ir embora e, ao longo desses sete anos, acompanhei uma evolução avassaladora e consistente do município. O desenho urbano da cidade passou por uma transformação rápida. Novos viadutos, avenidas duplicadas, a orla reestruturada, ciclovias. Ao mesmo tempo que obras de mobilidade ocorriam, novos empreendimentos como atacados e empresas brotaram. Um novo perímetro irrigado foi instalado, o Pontal, que trará outro ciclo de crescimento.

Aos olhos de um forasteiro, o desenvolvimento que Petrolina experimenta é impressionante. Ainda mais, num período curto de tempo em que o Estado e o país passaram por grandes dificuldades econômicas. Onde mais se vê em Pernambuco, e talvez no Nordeste inteiro, um ritmo de desenvolvimento tão dinâmico? Em que cidade pernambucana foram construídos tantos empreendimentos da magnitude de viadutos, duplicação de longas avenidas, maternidade, escolas em tempo integral e mais de 20 km de ciclovia em menos de uma década?

Os dados do IBGE são a prova estatística da impressão que passei a sentir nas ruas. Petrolina foi a cidade que mais evoluiu a população em Pernambuco, o 16º crescimento absoluto entre mais de 5 mil municípios brasileiros. Para quem vem do Agreste, como eu, ver Petrolina ultrapassar Caruaru em um espaço mínimo de tempo é surpreendente. Porém, não espanta a quem convive com a mística de fazer o “impossível”.

Petrolina, num passado mais remoto, era apenas um município de travessia, “a passagem de Juazeiro” para outras regiões. Um pedaço de terra no semiárido, no meio do nada, na extrema ponta de Pernambuco. O município pernambucano vivenciou diversos saltos econômicos como na época de Nilo Coelho, a chegada da tecnologia de irrigação. Agora, Petrolina passa por mais um momento de desenvolvimento que faz inveja a muitos lugares e que é difícil de interpretar.

O povo de Petrolina, como disse anteriormente, não parece se surpreender, o que torna o fenômeno ainda mais impressionante. Mas talvez aí esteja a explicação empírica para o dinamismo sertanejo: a alta exigência e o desejo de sempre querer mais. Isso se reflete na política, onde lideranças como Nilo, Fernando, Simão, Augusto, Osvaldo, Diniz, Miguel entre outras tantas, disputaram, ao longo das décadas, quem mais fez pela cidade. Também se percebe na economia, no agronegócio, na cultura, em vários segmentos, onde se busca sempre a excelência e ser referência.

Se o nordestino é, antes de tudo, um forte, eu diria que o petrolinense é, acima de qualquer coisa, um ousado, um tipo de brasileiro que pensa grande e não se contenta em ser mais do mesmo. Está no DNA, nas raízes da “Terra dos Impossíveis”, que a cada dia surpreende com novos feitos improváveis para um lugar que poderia ser apenas um “fim de mundo”.

Junior Vilela/Jornalista adotado por Petrolina, criado no Recife e nascido em Garanhuns